domingo, 28 de novembro de 2010

Selinhos do Blog Carolina - Um sonho a mais não faz mal

Nosso blog está imensamente feliz. Ganhamos do Blog Carolina - Um sonho a mais não faz mal dois selinhos de qualidade.



Carolina, muito obrigada pelo carinho. Também amamos seu blog.

Como de costume, o blog que ganha selinhos também tem que indicar outros blogs para receberem o presente. Segue a lista dos blogs indicados:

Espaço Braille
Assim como você
Mão na Roda
Escola de Todos

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A deficiência – um breve histórico


* Capítulo do meu TCC do Curso de Especialização Tecnologia em Educação - PUC Rio


O entendimento da pessoa com deficiência passou por inúmeras mudanças no decorrer do processo histórico, tanto na sua conscientização diante da sociedade, como também no encaminhamento educacional.
“Para se ter a dimensão do entendimento que a sociedade tem sobre o individuo deficiente precisamos nos reportar ao passado, e localizar nas diferentes épocas, o retrato que se fixou, culturalmente, sobre a ideia das diferenças individuais e que se converteu no atual modelo de atendimento a este sujeito nas várias instituições, principalmente no sistema do ensino regular.” (ROCHA, 2000, p.3)
Gugel (2008) expõe que na era primitiva, as pessoas com deficiência não sobreviviam, devido ao ambiente desfavorável. Afinal, para seu sustento, o homem primitivo tinha que caçar e colher frutos, além de produzir vestuário com peles de animais. Com as mudanças climáticas, os homens começam a se agrupar e juntos irem à busca de sustento e vestimenta. No entanto, somente os mais fortes resistiam e segundo pesquisadores, era comum nesta época desfazerem de crianças com deficiência, pois representava um fardo para o grupo.
Segundo Gugel (2008), no Egito Antigo, as múmias e os túmulos nos mostram que a pessoa com deficiência interagia com toda sociedade. Já na Grécia, as deficiências eram tratadas pelo termo “disformes” e devido à necessidade de se manter um exército forte os gregos eliminavam as pessoas com deficiências. Em Roma, as crianças que nasciam com deficiência, os pais tinham o direito de afogá-las, no entanto, muitos casais abandonavam seus filhos em cestos no Rio Tibre ou em outros lugares sagrados. Os que conseguiam sobreviver tornavam-se pedintes ou atrações de circo. Em tempos de conquistas de novos mundos, Roma começa a receber das guerras soldados amputado e então cria um centro hospitalar. Surge neste momento o cristianismo que combate a eliminação de crianças com deficiência e cria hospitais de caridade que atendem indigentes e pessoas com deficiências.
Rocha (2008) aponta que na Idade Média a ignorância enxergava a pessoa com deficiência como um castigo de Deus e os supersticiosos viam como instrumentos para uso de feiticeiros e bruxos.  “A atitude cristã primitiva para o indivíduo anormal era incoerente, algumas vezes considerando-os obra do demônio e outras vezes interpretado como possessões divinas.” (ROCHA, 2008, pp. 3 e 4).
Na Idade Moderna as ideias foram se renovando. O humanismo presente no Renascimento das artes, da música e das ciências transformou de certo modo o olhar para as pessoas com deficiência. No século XV nasce o código de sinais para os deficientes auditivos e surgem também as próteses e cadeiras de rodas devido às amputações causadas pela guerra. Os séculos XVII e XVIII foram marcados pelo grande investimento em hospitais que atendiam pessoas com deficiência visual e auditiva, e se especializam em ortopedia para suprir as necessidades dos multilados. A perturbação mental começa a ser vista com doença e finalmente nesta época foram libertados das correntes no qual eram obrigados a ficar. No século XIX, é criado o Braille para oportunizar a leitura dos deficientes visuais. Neste mesmo século percebesse que a pessoa com deficiência não precisava apenas de hospitais e abrigos, mas também de um acompanhamento especializado. Este pensamento traz novas mudanças e grupos se organizam para reabilitar as pessoas para continuar trabalhando em outros setores. (GUCEL, 2008).
Com toda essa movimentação na Europa, aqui no Brasil, foram criados o Imperial Instituto dos Meninos Cegos em 1854 (hoje, Instituto Benjamin Constant) e o Imperial Instituto de Surdos Mudos em 1857 (atualmente, Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES). Grande parte das pessoas atendidas por estes dois institutos eram abandonadas pela família e vinha de todo o país.
No século XX, passa a acontecer avanços significativos para as pessoas com deficiência. Os instrumentos utilizados para locomoção e aprendizagem começam a serem aperfeiçoados. A Europa inicia uma reflexão a cerca de que a pessoa com deficiência deveria compartilhar com o cotidiano da sociedade e logo as novas ideias se espalham pelo mundo. O presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, que era paraplégico, contribuiu muito para que os norte-americanos e o mundo tivesse uma nova visão sobre as pessoas com deficiência, dedicando-se à promoção de boas condições de reabilitação e assim possibilitando uma maior independência. Porém na Segunda Guerra Mundial, o mundo assiste inúmeras atrocidades, e são exterminados não só judeus, mas também crianças e adultos que apresentam alguma deficiência. Os que não foram assassinados tiveram que ser submetidos à esterilização em nome de se construir uma raça pura. (GUCEL, 2008; ROCHA, 2008)
A sociedade Mundial diante deste histórico teve que mais uma vez se reorganizar para superar os problemas trazidos pela guerra. Cria-se, então a Organização das Nações Unidas – ONU – que tem como objetivo dar encaminhamentos para a solução dos problemas. As nações se unem para dar melhor condições a seu povo e após três anos de sua fundação nasce a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
“Art. 1º Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Art. 2º Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua,  religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.” (DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, 1948).
Assim, se iniciam as solidificações das instituições em todo o mundo, buscando tornar a vida das pessoas com deficiência mais adaptada a sociedade. Principia então uma nova política social e a pessoa com deficiência é integrada a vida em sociedade com mais respeito e entendimento de que também têm capacidade para aprender e produzir.

Referencia Bibliográfica:
Declaração Universal Dos Direitos Humanos. Disponível em: < http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm > Acesso em 16 de set 2010.

GUGEL, M. A. A pessoa com deficiência e sua relação com a história da humanidade. Artigo preparado para o Programa de Qualificação da pessoa com deficiência da Microlins, Florianópolis, SC, 2008. Disponível em: < http://www.ampid.org.br/Artigos/PD_Historia.php > Acesso em 15 de set 2010.

ROCHA, M. S. O Processo de Inclusão na Percepção do Docente do Ensino regular e Especial: Breve histórico sobre a deficiência. In: Monografia apresentada como conclusão de curso de Pós-graduação em Educação especial – Área de Deficiência Mental, Universidade Estadual de Londrina. 2000. p.3-10. Disponível em: < http://www.scribd.com/doc/20378146/Breve-Historico-da-Deficiencia > Acesso em 07 de out 2010.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia do Professor

Sou professora há 22 anos. Amo minha profissão. Na verdade nem a enxergo como profissão, a vejo como uma das melhores partes da minha vida. Meus filhos e meus alunos são o que de melhor tenho. Nossa história se faz em meio ao ensinamento, aprendizagem, paixão, afeto, carinho, chamadas de atenção quando necessário (deles para mim e vice-versa) e muito, muito amor. Não seria outra coisa senão professora. Me sinto realizada e feliz. 
É claro que poderia ter feito melhor, mas tudo que fiz e faço é realmente na ação que acredito. A maior lição que posso deixar a meus filhos e alunos é de que confiem sempre em sua capacidade de descobrir e criar. O segredo é elevar a auto-estima de todos.
Neste dia quero parabenizar todos educadores e educandos pela linda lição que dão a humanidade.
 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dicas de como trabalhar com alunos disléxicos

A escola tem papel fundamental no trabalho com os alunos que apresentam dificuldades de linguagem.

    Destacamos algumas sugestões que consideramos importantes para que ele se sinta seguro, querido e aceito pelo professor e pelos colegas.

  • O Disléxico tem uma história de fracassos e cobranças que o fazem sentir-se incapaz. Motivá-lo, exigirá de nós mais esforço e disponibilidade do que dispensamos aos demais;
  • Não receie que seu apoio ou atenção vá acomodar o aluno ou fazê-lo sentir-se menos responsável. Depois de tantos insucessos e auto-estima rebaixada, ele tende a demorar mais a reagir para acreditar nele mesmo;
MELHORANDO A AUTO-ESTIMA:
  • Incentive o aluno a restaurar o confiança em si próprio, valorizando o que ele gosta e faz bem feito;
  • Ressalte os acertos, ainda que pequenos, e não enfatize os erros;
  • Valorize o esforço e interesse do aluno;
  • Atribua-lhe tarefas que possam fazê-lo sentir-se útil;
  • Evite usar a expressão "tente esforçar-se" ou outras semelhantes, pois o que ele faz é o que ele é capaz de fazer no momento;
  • Fale francamente sobre suas dificuldades sem, porém, fazê-lo sentir-se incapaz, mas auxiliando-o a superá-las;
  • Respeite o seu ritmo, pois a criança com dificuldade de linguagem tem problemas de processamento da informação. Ela precisa de mais tempo para pensar, para dar sentido ao que ela viu e ouviu;
  • Um professor pode elevar a auto-estima de um aluno estando interessado nele como pessoa;
    Nós não aprendemos pelo fracasso, mas sim pelos sucessos.

MONITORANDO AS ATIVIDADES:
  • Certifique-se de que as tarefas de casa foram compreendidas e anotadas corretamente;
  • Certifique-se de que seu aluno pode ler e compreender o enunciado ou a questão. Caso contrário, leia as instruções para ele;
  • Leve em conta as dificuldades específicas do aluno e as dificuldades da nossa língua quando corrigir os deveres;
  • Estimule a expressão verbal do aluno;
  • Dê instruções e orientações curtas e simples que evitem confusões;
  • Dê "dicas" específicas de como o aluno pode aprender ou estudar a sua disciplina;
  • Oriente o aluno sobre como organizar-se no tempo e no espaço;
  • Não insista em exercícios de fixação repetitivos e numerosos, pois isso não diminui a sua dificuldade;
  • Dê explicações de "como fazer" sempre que possível, posicionando-se ao seu lado;
  • Utilize o computador, mas certifique-se de que o programa é adequado ao seu nível. Crianças com dificuldade de linguagem são mais sensíveis às críticas, e o computador, quando usado com programas que emitem sons estranhos cada vez que a criança erra, só reforçará as idéias negativas que elas tem de si mesmas e aumentará sua ansiedade;
  • Permita o uso de gravador;
  • Esquematize o conteúdo das aulas quando o assunto for muito difícil para o aluno. Assim, a professora terá a garantia de que ele está adquirindo os principais conceitos da matéria através de esquemas claros e didáticos;
  • "Uma imagem vale mais que mil palavras": demonstrações e filmes podem ser utilizados para enfatizar as aulas, variar as estratégias e motivá-los. Auxiliam na integração da modalidade auditiva e visual , e a discussão em sala que se segue auxilia o aluno organizar a informação. Por exemplo: para explicar a mudança do estado físico da água líquida para gasosa, faça-o visualizar uma chaleira com a água fervendo;
  • Não insista para que o aluno leia em voz alta perante a turma, pois ele tem consciência de seus erros. A maioria dos textos de seu nível é difícil para ele;
    Alunos disléxicos podem ser bem sucedidos em uma classe regular. O sucesso dependerá do cuidado em relação à sua leitura e das estratégias usadas.

AVALIAÇÃO:
  • As crianças com dificuldade de linguagem têm problemas com testes e provas:

    Em geral, não conseguem ler todas as palavras das questões do teste e não estão certas sobre o que está sendo solicitado.

    - Elas têm dificuldade de escrever as respostas;
    - Sua escrita é lenta, e não conseguem terminar dentro do tempo estipulado
  • Recomendamos que, ao elaborar, aplicar e corrigir as avaliações do aluno disléxico, especialmente as realizadas em sala de aula, adote os seguintes procedimentos:

    - Leia as questões/problemas junto com o aluno, de maneira que ele entenda o que está sendo perguntado;
    - Explicite sua disponibilidade para esclarecer-lhe eventuais dúvidas sobre o que está sendo perguntado;
    - Dê-lhe tempo necessário para fazer a prova com calma;
    - Ao recolhê-la, verifique as respostas e, caso seja necessário, confirme com o aluno o que ele quis dizer com o que escreveu, anotando sua(s) resposta(s)
    - Ao corrigi-la, valorize ao máximo a produção do aluno, pois frases aparentemente sem sentido e palavras incompletas ou gramaticalmente erradas não representam conceitos ou informações erradas;
    - Você pode e deve realizar avaliações orais também.
    Se o disléxico não pode aprender do jeito que ensinamos, temos que ensinar do jeito que ele aprende.

domingo, 26 de setembro de 2010

26 de setembro - Dia do Surdo

POEMA DO SURDO
       (autor desconhecido)
O teu silencioso
É harmonioso
O teu jeito expressivo
É muito gostoso
Sabes sorrir
Sabes chorar
Sabes... É claro;
Te expressar!
O teu falar
Arrepia a gente
És falante de um sistema lingüístico
Muito diferente
Compreender a tua fala
O teu sentimento
É muito envolvimento
Esta língua, visual-especial
Quero aprender
Nos ensina... Teu modo de ver
Nos ensina... sentir e aprender
Nos ensina.... saber, sobre as coisas do mundo

Você não pode deixar de conhecer o trabalho de Ely Souza e Josenete Ribeiro Macedo - Inclusão Social do Surdo: um desafio à sociedade, aos profissionais e a educação. (clique aqui para conhece-lo)


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Escola e família têm papel primordial na inclusão

Pedagoga, com doutorado em educação, Maria Tereza Eglér Mantoan é professora da Faculdade de Educação da Universidade de Campinas (Unicamp). Sua dedicação, nas áreas de pesquisa, docência e extensão, está voltada ao direito incondicional de todos os alunos à educação escolar de nível básico e superior de ensino. Tem 17 livros publicados.
Ela exerce, desde 2007, a função de coordenadora pedagógica do curso de especialização para formação de professores de atendimento educacional especializado, promovido pela Secretaria de Educação Especial do MEC em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFCE).
Em entrevista ao Jornal do Professor, Maria Tereza diz que a escola e a família têm papel primordial na inclusão dos alunos especiais. Para ela, é importante que esses alunos tenham acesso a escolas comuns, mas também é importante que as escolas ofereçam atendimento educacional especializado, complementar à formação, segundo as necessidades de cada um.

Leia a matéria e entrevista completa em:
Portal do Professor

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Por uma escola diferente

Estava conversando com um amigo virtual que é surdo sobre as práticas existentes nas escolas. Márcio mora em Apucarana, Paraná e foi por quatro anos presidente do Conselho Deliberativo da Escola de seu filho. Ele me relatou que teve grandes problemas com alguns professores da escola porque tinha ideias muito revolucionárias. Acreditem, as ideias do Marcio eram tão simples. Ele apenas pedia uma escola prazerosa para os alunos, com novidades, com acesso adequado as tecnologias, aberta aos finais de semana para a comunidade e integração maior com as famílias.
A grande angustia de Márcio era ver os alunos se evadirem porque não encontravam na escola atrativo nenhum. Bom, meu amigo virtual arregaçou as mangas e foi a luta. O indice de evasão era grande e Marcio começou a participar mais da vida da escola. Como é uma cidade pequena, foi fácil buscar os alunos em casa e leva-los a escola. Junto a isso, começou a mexer com os professores e muita coisa mudou. Sabe aquele pai questionador? Esse é Márcio. E ele não se preocupava só com o filho não, se tornou paizão de todos e durante quatro anos deu uma reviravolta na escola. Mesmo assim Márcio ainda não está contente. Diz que ainda tem muitos professores que pensam que são os "sabem tudo" e para eles os alunos "sabem nada". 
Márcio tem 42 anos e o ensino médio completo. Descobriu que era surdo somente aos 14 anos. A família e os professores diziam que ele era distraído. Um dia em sua vida passou um professor que finalmente o olhou diferente e descobriu que Márcio era surdo. Só tem 40% de audição. Então sua vida escolar começou a mudar e sua visão de mundo e escola também. 
Associou-se a uma organização para deficientes em sua cidade e começou a fazer muitos cursos. Passou pela vida trocando muitos empregos com a justificativa de que era perigoso por conta de sua surdez. Nessas andanças de portas fechadas, Márcio aprendeu a lidar com madeira e hoje tem seu próprio negócio. Diblou os "nãos" e disse sim a sua vida. É um vencedor, guerreiro que não desiste nunca.
Sua experiência de vida o levou a esta luta na escola. Hoje Márcio não é mais presidente do Conselho Deliberativo, pois sua pequena empresa ocupa muito do seu tempo, mas sempre que pode visita a escola. Vai com seu discurso de uma escola diferente. Ainda não mudou tudo que queria, mas ele diz que não vai parar. Quer ver os jovens da sua cidade a acreditar na escola e aprender a fazer a diferença em suas vidas. 
Segundo ele, o mais difícil é provar aos professores que a mudança é necessária.
Concordo com Márcio, de nada adianta termos acesso as novas tecnologias se continuamos a ensinar de forma tradicional.